Monday, September 06, 2010

Pedaços

espaços exíguos
pequenos
compactos
estanques - febris -
espaços ambíguos
de mim,
apartados de mim
-espaços sem fim.

(espasmos de vida
rascunhos de traços
construo a metrópole
dos meus sonhos
em pequenos pedaços
esparsos)
- pequenos pedaços -

(construo a mentira dos meus versos
na sinceridade da minha dor
- e só não finjo o amor que te sinto -
mas minto o tempo todo)

e minto aos pedaços
pequenos
espaços
vazios
de mim
que eu não sei
e nem quero mesmo
saber
porque minto tanto
e sinto tanto
e sinto muito
mais um dia
aos pedaços.

sinto o verso fracassado,
a rima ausente, a metáfora
insandecida,
o anagrama desfeito,
a poesia sem jeito,
feita aos poucos

de mim
de mais um dia
de nada que seja importante,
estilhaços de uma vida toda
lançados ao vento-pedaços.

1 comment:

Danilo MM said...

A verdade é que acho que jamais em algum momento fomos algo que pudesse ser chamado de todo.