Sunday, May 10, 2015

Vivo

Ao contrário do que pensam...vivo!
Ao contrário do que penso...vivam!
Ao contrário
enquanto eu penso, 
vivo!

Thursday, September 19, 2013

Contrário



Mesmo que eu diga
o contrário
do que sempre digo

Mesmo que eu seja
o oposto
daquilo que sempre persigo

Amanha sera outro dia
e com ele
eu digo de novo
outra coisa
cometo um novo poema
como um hot roll com tequila
e sangro na sarjeta estilhaçada
dos versos que eu fiz
ao contrario.

Pular a janela



Pular a janela de outrora,
vingar as certezas que eu tinha,
lamber os dois pés do passado
regurgitar tantos sonhos
na cara de merda
que vislumbro no espelho
do meu banheiro,
de um futuro sem graça,
de uma grande mentira,
uma  imensa farsa.

Pular a janela pra sempre e
aceitar que a poesia, assim como eu,
é covarde e inútil
para o propósito que persigo.

Pular a janela e fim...

Vozes



Ouço vozes
que rogam que eu encontre
a poesia que joguei por uma
janela qualquer do passado,
que fechei em uma gaveta
escura, vazia, tardia.

Ouço vozes estranhas
que gritam comigo
quando finjo que nao escuto,
que brincam comigo,
que riem de mim.

Ouço  vozes que sei que sao minhas,
que fazem parte de mim,
que sao o que eu sou
e se envergonham de mim
quando respondo.

Ouço vozes durante todo o tempo
ouço vozes e pronto...

Tuesday, July 03, 2012

Anoitece a tarde!






Anoitece a tarde 
pela janela
dos meus olhos
anoitece a poesia

Espasmos

transitar
inútil
entre paisagens de vento
passagens de tempo
ausências de espaço.

trafegar
vazio
entre palavras ao vento
espamos de movimento
ausências de espaço.

transgredir
da forma mas sincera possível
evitando a linearidade
entre a boca e o verso,
a vertigem e a saudade.
 
engolir a poesia
dispersa em pedaços
largados ao chão.

Thursday, April 12, 2012

Dias sem fim

São dias conclusivos,
terminados,
interrompidos,
que se findam
a toda hora,
a cada passo,
em cada dia.
São dias finados,
perdidos,
passados,
dias de ontem,
de nada,
que se vão.
São dias que se acabam
martirizados no tempo
que insistimos em 
não deixar passar,
imaculados no espaço
que insistimos em
não enxergar.
É mais um dia sem fim
que se acaba em mim,
olhando em seus olhos
e vendo o brilho 
de mais um dia
se apagar.

Sunday, June 26, 2011

Cego Amor

Meu amor não é mais cego
e enxerga você como é
com falhas, limites, cheiros, 
angústias, tristezas, lamentos,
esquisitices bizarras.
Meu amor enxerga o que está a frente,
distante, ao longe, ao largo, adiante.
Meu amor maduro 
(de tanto tempo que amo
de tanto amor que sinto)
te ama cada vez mais
porque não é mais cego
e ama você com tudo que é
porque não seria amor,
não seria você,
não seriamos nós,
não seria tão bom.

Friday, April 01, 2011

Alegoria

o que eu faço
aos pedaços
e passos
é só
o que eu faço e
se fosse poesia
seria incompleta
como é a dor
e a cidade vazia.
se fosse poesia
seria inconstante,
de forma abjeta
(seria
de mim
um pedaço
extraído),
alegoria tardia
de um carnaval
esquecido...
se fosse poesia
talvez eu fosse mais feliz.

Falha interrompida.

um dia
qualquer destes que passam por aí
quis ser um debochado leminsky
e dos lugares comuns e chavões
troquei de lugar raios e
sensações;
depois tentei baudelaire,
simbólico, mefítico, sexista,
jurei mentiras em laivos de
saudades;
visitei kerouac
narrativo e imberbe,
perdi um irmão e saí
vagando por ruas estreitas,
antônimas,
procurei os amigos ginsberg
e burroughs em vão,
sentido sem sentido,
melífluo desprazer,
rio vermelho que escorria
dos meus olhos em prantos
-lisérgico-juvenis;
tateei o obscuro medo do conhecido
e tentei mayakovsky
revolucionando a mesmice
em opções básicas,
simples, práticas,
poemas mecânicos.
esqueci de mim
em meio a tudo que tentei,
busquei,
falhei...

Tuesday, March 08, 2011

Sonhos

ontem tive medo de dormir...

hoje me apego a sonhos incompletos
para impedir a chegada da manhã,
meu pesadelo rotineiro.

Manhã Qualquer

Haverá um momento
em que seremos passado,
obscuro em seu meio,
pequeno pedaço de tempo,
lembrança tardia
em uma manhã qualquer.

Haverá um momento,
distante no tempo,
em que seremos apenas
notícias vazias,
inócuas, perfídias,
em uma manhã qualquer.

Haverá um momento
que não teremos manhãs,
lembranças, notícias, espaços,
...apenas saudades.

Friday, January 14, 2011

Nada

tentei escrever
um poema
sobre nada
e foram tantas
as palavras
verbos
rimas
quadras
anagramas
metonimias
e saudades
(porque a saudade é um vazio)
que deixei tudo em branco
e fui dormir mais um pouco

Ocular

ver
tão simples
e tão pouco

(enxergar)

de olhos fechados
a escuridão
fica tão mais bonita.

Pedaço Qualquer

cansei dos amigos de outrora,
dos velhos amigos de sempre,
cansei de todos os amigos que tenho
que nunca me ligam, nunca me escrevem
que me sabem cativo da amizade existente
e dela não cuidam.

cansei...

quero novos amigos
que se enterneçam com minhas lágrimas
que acreditem na minha poesia
que se assustem com minha agressividade gratuíta,
palavrões desnecessários e minha
violência inútil e fora de sentido.

preciso de novos amigos
que se surpreendam com meus arroubos
que não entendam minha melancolia

que não saibam de mim
um pedaço de mim qualquer

para depois de algum tempo
me cansar deles também
 
pois sempre acabam espelhando
um pedaço de mim qualquer.

Friday, November 12, 2010

Latitude e morte

quando me refiro
a tantas coisas
inúteis
em um fluxo contínuo
de teorias obscuras
e desnecessárias
é que perdi meu caminho
é que perdi meu sentido
é que não sei mais
a distância
do queixo à ponta do meu nariz

(que sangra de forma tênue e serena
depois do soco que a vida me deu e
fez morrer em mim tanta coisa depois
da conversa de ontem que já não sei
mais se sou eu).

Necessário

preciso definir de 
forma imperativa
o senso inexpressivo
da angústia solitária.
preciso reparar
alguns danos
sócio-atemporais
e sanar pendências
amorais.
preciso incitar
minha poesia
ao escândalo
e regurgitar em versos
o obscuro e o amargo
da vida.
preciso recomeçar do zero
e me enganar de novo
e começar mais uma vez
e de novo não saber
porque insisto nisso.
preciso de um carro
novo
uma cara
nova
um motivo
novo
preciso do sol poente
ardendo em meus olhos
lacrimejantes
e
ao cair da tarde
preciso
recomeçar de novo
e me enganar de novo
e me amar também
porque preciso
porque persigo
porque é necessário.